PEDRO PERNAMBUCO FILHO

“O Brasil participou da criminalização da maconha por meio de uma mentira levada pelo representante brasileiro na Liga das Nações, antecessora da ONU. Em 1925, a Liga das Nações fez a segunda conferência internacional sobre o ópio com 44 países presentes, entre os quais o Brasil. Era para discutir como controlar o ópio, mas o Egito entrou com o tema maconha. E o representante brasileiro, Pedro Pernambuco Filho, disse que ela era mais perigosa que o ópio no nosso país”. (Carlini – FAPESP-Edição168 – 02/ 2010)

O professor Dr. Elisaldo Carlini, na entrevista à Revista Pesquisa FAPESP (http://revistapesquisa.fapesp.br/?art=4046&bd=1&pg=1&lg=), ultrapassa os limites da ciência evidenciando-se pela sua perseverança e audácia, como cidadão do mundo.

Enquanto isso, o “psiquiatra esquisitão” professor Dr. Ronaldo Laranjeira publica em seu blog (http://www.uniad.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=3471:imagens-mostram-o-consumo-e-a-venda-de-crack-na-capital-do-pais-flagrantes-mostram-criancas-e-gravida-usando-a-droga-em-brasilia-&catid=29:dependencia-quimica-noticias&Itemid=94) um texto no qual ele e Janete Pinheiro (psicanalista) mostram grande indignação e impotência pelo aumento dos usuários de crack em Brasília.

Ora, todos sabem que a mídia conservadora, ao veicular factóide deste tipo, nas entrelinhas tenta sugerir à audiência, desmazelo e incompetência do atual governo, beneficiando descaradamente a oposição consigo afinada. Ao alardear uso de crack bem perto do poder, a mídia quer insinuar de maneira impostora e desavergonhada, a noção do “ninguém faz nada”, do governo relapso, do “todos são ladrões”, etc. Bem sabemos o quanto isto rebaixa o caráter da nação, bastando para isto observar a curta memória e a desatenção política do povo pós-golpe. Daí, encontrar o mesmo refrão tendencioso no blog deste “esquizofrenista” revela-nos nítido quais são os interesses e quem são as pessoas para quem ele trabalha.

Citado esse reacionário, vamos saber de outro, pelo jeito bem maior, Pedro Pernambuco Filho que, questionado nas postagens do blog,

[Ed. #57] Discovery Hemp: O Uso Medicinal da Maconha no Brasil… chegando a hora!

(http://hempadao.blogspot.com/2010/03/ed-56-discovery-hemp-o-uso-medicinal-da.html#more), se o seu sobrenome relacionava-se à terra de origem.

– Aguçou o curioso. Seria pernambucano o Pernambuco?

Baseado no Google, Pedro Pernambuco Filho aparece em 1921 ao lado de outro  alienista, Adauto Botelho, além de Ulysses Vianna e Antonio Austregésilo, fundando uma clínica particular nomeada Sanatório Botafogo. A saber, Adauto Botelho era fiel escudeiro de Henrique Roxo que utilizava como métodos de tratamento as aplicações de insulina, a malarioterapia, a piretoterapia, a convulsoterapia por cardiazol, o eletrochoque e o tratamento por extratos de plantas medicinais brasileiras (Roxo 1942: 10).

Pedro Pernambuco Filho foi também assistente de psiquiatria e professor na Faculdade Nacional de Medicina. Em 1923 publicou “valioso” opúsculo, As Toxicomanias no Rio de Janeiro”, onde estuda o ópio e outras substâncias tóxicas, “cujo consumo está tomando proporções alarmantes entre nós”, além do Estudo sobre conclusões aprovadas pelo Convênio Interestadual da Maconha”.

Em 1924 Pernambuco e Botelho publicam Vícios sociais elegantes do qual se depreende as seguintes pérolas:

(…) “atualmente, porém, é pela procura de volúpia e sensações estranhas e novas que os indivíduos, via de regra snobs, cansados dos prazeres habituais, se viciam”. (PERNAMBUCO FILHO, 1924: 14).

(…) “moços ricos, vindos de países estrangeiros, onde gastaram mocidade e dinheiro bem assim hetairas exóticas, trouxeram na sua bagagem, além da sensualidade doentia, o vício, de que se tornaram paladinos desenfreados, acarretando para a grei os incautos admiradores de suas aventuras. Foi assim que a cocaína entrou nos nossos meios elegantes onde por imitação, por curiosidade e por chic, tomou um desenvolvimento infelizmente notável, invadindo mesmo lares circunspectos, pela propaganda feita na família pelos viciados.” (PERNAMBUCO FILHO, 1924:15).

(…) Não satisfeitos com um só vício, os doidivanos desocupados foram procurar na Rua da Misericórdia e adjacências, os filhos do antigo Império Celeste e com auxílio deles montaram as primeiras “fumeries” que, dada a procura, se foram depois espalhando, algumas das quais luxuosamente instaladas. (PERNAMBUCOFILHO, 1924: 15).

Em 1924, mais de 100 países enviaram delegações à Liga das Nações Unidas (atual ONU) para reafirmar as discussões sobre coca e ópio, que já vinham ocorrendo desde as reuniões de 1909, 1911, 1912 e 1921. Em todas elas, nenhuma menção a cannabis havia sido realizada até, que nessa reunião, El Guindy, o representante do Egito, trouxesse à tona suas inquietações sobre o que ele considerava os graves problemas e perigos do haxixe, exigindo a inclusão da planta na lista de substâncias proscritas. Após muita insistência de El Guindy [“o governo egípcio chegou a dizer que ela era uma droga totalmente destruidora, que mereceria o ódio dos povos civilizados” (Carlini-ídem)], o Conselho decide formar uma subcomissão para discutir o tema, composta por especialistas da Grã-Bretanha, Índia, França, Grécia, Egito e Brasil, este último representado pelo Dr. Pedro Pernambuco Filho, discípulo do Dr. Rodrigues Dória. Durante os trabalhos, os representantes da Grécia, Brasil e Egito pressionam fortemente para que o relatório exigisse controle equivalente ao do ópio e destacasse os perigos da planta. O Sr. Pernambuco aproveita para dar sua contribuição à história da proibição internacional da cannabis, apresentando suas teses brasileiras a respeito da associação entre a cannabis e a papoula, uma vez que, no Brasil, segundo ele, haveriam tantos problemas relacionados com a maconha entre os negros que a ‘planta da loucura’ seria mais perigosa e causaria mais danos do que o ópio no oriente. (Mills, 2003; 152-187)

As posições do Dr. Rodrigues Dória e seus seguidores sobre o que ele chamou de “a vingança dos vencidos” podem ser resumidas no trecho que encerra sua comunicação no Segundo Congresso Científico Panamericano, realizado em Washington, 1915:

“A raça preta, selvagem e ignorante, resistente, mas intemperante, se em determinadas circunstâncias prestou grandes serviços aos brancos, seus irmãos mais adiantados em civilização, dando-lhes, pelo seu trabalho corporal, fortuna e comodidades, estragando o robusto organismo no vício de fumar a erva maravilhosa, que, nos estases fantásticos, lhe faria rever talvez as areais ardentes e os desertos sem fim de sua adorada e saudosa pátria, inoculou também o mal nos que o afastaram da terra querida, lhe roubaram a liberdade preciosa, e lhe sugaram a seiva reconstrutiva”. (Dória, 1915; 37)

Em 13 de junho de 1929, Pernambuco ingressa como membro nº 327 na ACADEMIA NACIONAL DE MEDICINA.

Conforme Pedro Nava em seu livro “O Círio Perfeito”, “…naqueles anos 30,  Pernambuco e outros (médicos membros) reuniam-se na Academia Nacional de

Medicina todas as quintas-feiras, a partir das oito da noite, para seguir as conferências e comunicações que ali se faziam.”

Em 1948  Pernambuco publica em “A Folha Médica”, o trabalho “A Luta contra as Toxicomanias

Em 1950, enquanto ocupava os cargos de Professor da Faculdade Nacional de Medicina e representante da América Latina na Seção de Combate aos Tóxicos da UNESCO, assinou juntamente com o circunscrito Partido Comunista Brasileiro (PCB), o “Apelo de Estocolmo” pela paz mundial.

Pedro Pernambuco Filho foi o primeiro presidente  da Associação Psiquiátrica do Rio de Janeiro, fundada em 7 de agosto de 1961, e que contava com 86 psiquiatras. Nesse mesmo ano (1961) publica, pelo Arq. Manicômio Judiciário Heitor Carrilho, o trabalho  A Maconha sob o ponto de vista Psiquiátrico.

Isto posto, e verificando-se que do aludido alienista Pedro Pernambuco não consta nem paternidade, nem idade e nem origem, chego à conclusão metodológica de tratar-se realmente de um Filho… da puta.

E, visto também nada constar relacionado à sua morte, deduzo que o dito cujos pode ainda estar vivo, sussurrando segredos ao filho da puta contemporâneo, esquizofrenista de cátedra Ronaldo Laranjeira, assombrando a existência, criando inquietações.

Professor Erbacceo Hempirico

Fontes Google:

Hempadão blog

European Coalition for Just and Effective Drug Policies (ENCOD)

Jaime Fernandes Ribeiro – UFF

MRTS Salgado – UFRJ

Liliane Maria Prado Amuy – PUC/SP

Blog Dependência Química do Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira.

Revista Pesquisa FAPESP – Prof. Dr. Elisaldo Carlini

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: